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No Amazonas há 29 barragens. Apesar de garantir a segurança delas, o diretor-presidente do Ipaam salientou que um impacto ambiental pode ser ainda pior que o de Brumadinho e Mariana

‘Se barragens romperem no AM, impacto pode superar o de MG’, diz Ipaam

Manaus – O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Juliano Valente alertou, nesta terça-feira (29), que todas as 29 barragens do Amazonas estão seguras. No entanto, ele ressaltou que, caso haja um rompimento de barragem de minérios, o impacto ambiental pode ser maior que o ocorrido em Brumadinho (MG). A avaliação foi feita durante coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (29), na sede do órgão.

Segundo Valente, o Ipaam não se pauta pela dramaticidade dos fatos. “O nosso risco é diferente do de Mariana e de Brumadinho, mas é preciso lembrar que estamos falando de natureza, que é instável. O nível de impacto pode ser maior, na mesma proporção ou até pior. Isso faz com que nós redobremos as atividades de atenção e fiscalização nessas áreas de mineração”, completa.

Ainda assim, Valente garantiu que não há risco potencial de acontecer um desastre ambiental ao ocorrido em Minas Gerais na última sexta-feira (25).

Ao todo, o Amazonas conta com 29 barragens, entre piscicultura, mineração, energia elétrica e outras. Desse total, oito são de mineração, sendo seis apenas de rejeitos, semelhantes às de Brumadinho e Mariana (MG). Esta última também sofreu rompimento em novembro de 2015.

As seis barragens do Amazonas estão localizadas na região do Pitinga, a 300 quilômetros de Manaus, e pertencem à Mineração Taboca S.A., que faz extração de estanho na região.

“Todas essas barragens possuem níveis de classificação. Isso vem de requisitos prévios onde agências e entes fiscalizadores, como a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e até o próprio Ipaam, pautam os requisitos e classificam as atividades e os riscos de rompimento, que vão de baixo a alto risco”, afirmou Juliano Valente.

Riscos minimizados

De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, o desastre de Brumadinho não tem chances de se repetir no Amazonas por diversos fatores, como o geográfico, o layout fabril e a metodologia de contenção. “No caso de Minas Gerais, você tem uma área completamente montanhosa, acima do nível do mar. Já aqui no Amazonas, a planície amazônica está completamente no nível do mar”, salientou.

Juliano Valente (esq.) disse que um desastre como o de Brumadinho e Mariana não tinha chance de se repetir no Amazonas por diversos fatores, incluindo o geográfico
Juliano Valente (esq.) disse que um desastre como o de Brumadinho e Mariana não tinha chance de se repetir no Amazonas por diversos fatores, incluindo o geográfico | Foto: Ione Moreno/EM TEMPO

Ainda segundo Valente, as atividades de mineração executadas pela Mineração Taboca S.A., são completamente diferentes das executadas pela Vale em Minas Gerais. “O layout fabril é diferente, e a concepção de estrutura de represamento de barragens também é diferente daqui. Todas as barragens estão localizadas em vales. Exemplificando: eu tenho uma bacia e um copo de água. Se a água transbordar ou o copo estourar por conta dos rejeitos, isso fica retido na bacia. Então, nós temos garantias de que o rejeito que possa dar problema de escoamento fique contido na área de contenção”, completou.

Vigilância e fiscalização

Diretor-presidente do Ipaam garantiu que o órgão fará visita de fiscalização na Mineração Taboca nos dias 8 e 9 de fevereiro
Diretor-presidente do Ipaam garantiu que o órgão fará visita de fiscalização na Mineração Taboca nos dias 8 e 9 de fevereiro | Foto: Ione Moreno/EM TEMPO

Juliano Valente ainda afirmou que o Ipaam pretende fazer uma visita de fiscalização e monitoramento na Mineração Taboca nos dias 8 e 9 de fevereiro. Segundo ele, a visita foi pedida no dia 14 de janeiro, quando representantes da empresa se reuniram com os gestores do Ipaam na sede do órgão.

Valente ainda destacou que o Ipaam tem feito fiscalizações rotineiras na área de mineração da Taboca. “A visita seria, inicialmente, para conhecer as instalações da Mineração e as operações desenvolvidas pela empresa. Com o fato recente que aconteceu em Minas Gerais, o objetivo mudou. Agora vamos fazer uma visita de fiscalização, para saber realmente, de fato, se tudo está de acordo com o que pede a lei”, destacou.

O secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, salientou que o tema das barragens de rejeitos continuará em atenção direta e permanente dentro do Sistema Estadual de Meio Ambiente, por determinação do governador Wilson Lima. Segundo ele, o papel do Ipaam é garantir a segurança de que a mineração será um processo inevitável.

Eduardo Taveira garantiu que o Governo do Amazonas continuará vigilante na questão de licenciamento ambiental
Eduardo Taveira garantiu que o Governo do Amazonas continuará vigilante na questão de licenciamento ambiental | Foto: Ione Moreno/EM TEMPO

“Não há material que escape a algum processo de mineração. O Governo do Amazonas não abrirá mão de requisito ambiental para atividade produtiva, mas fará todo o possível junto ao Ipaam para desburocratizar e agilizar os processos de licenciamento”.

TEXTO: LUCAS VITOR SENA

FONTE: EM TEMPO

 

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