Professores da Ufam aderem greve nacional e paralisam na próxima quarta (15)

Alunos e docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) confirmaram que irão aderir à greve nacional das universidades federais, agendada para a próxima quarta-feira (15). Na data, a comunidade acadêmica fará um ato às 15h, na Praça da Saudade, localizada no Centro de Manaus. Antes disto, também está prevista uma paralisação dos estudantes em frente ao campus universitário, a partir das 7h.

O movimento é em decorrência do bloqueio de R$ 38 milhões dos cofres da Ufam, que assim como as demais universidades federais também sofreu com o corte de 30% anunciado pelo Ministério da Educação (MEC).

Além de Manaus, os campi nos municípios de Humaitá, Benjamin Constant e Parintins também irão aderir à greve.

Ana Grijó, que atua na coordenação de administração e finanças do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas (Sintesam), afirma que os cortes nas universidades já têm sido algo recorrente ao longo dos anos, mas que desta vez, a situação fica mais delicada porque pode ocasionar uma redução no número de vagas na universidade.

“Além disto, também já está prevista a suspensão das bolsas de graduação e doutorado, medida que já vem sendo anunciada pelo MEC”, acrescentou a professora.

Fernanda Fernandes, que é estudante de história e membro da União da Juventude Comunista-Brasil (UJC), afirmou que a manifestação também é um ato de luta dos bolsistas que podem ter suas pesquisas afetadas por conta do corte.

“Este corte atinge uma grande camada da nossa sociedade, porque quem recebe bolsa, em sua grande maioria, é quem não tem condições de se sustentar na universidade. Eu, por exemplo, sou bolsista de Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) agora e não sei o que seria da minha pesquisa sem o recurso que eu retiro da minha bolsa”, afirmou a estudante.

“Porque é com ela (bolsa do Pibic) que eu pago meu transporte, minha alimentação, os andamentos da minha pesquisa. Tem muita coisa que nós temos que comprar, como livros, materiais. Isto é um ataque diretamente a quem está produzindo ciência”, afirmou a estudante.

Cortes

No dia 6 de maio, o reitor da Ufam, Sylvio Puga, afirmou ao Portal A Crítica que o Ministério da Educação bloqueou R$ R$ 38.048.452,00 do orçamento da universidade, que atingem principalmente as atividades de custeio da instituição de ensino como o pagamento de água, luz, telefone, empresas e funcionários terceirizados.

Puga ainda explicou que, se até o final do primeiro semestre deste ano esses recursos não forem desbloqueados, o tradicional Programa de Iniciação Científica (PIBIC), com a concessão de bolsas para os pesquisadores universitários, por exemplo, deverá ser suspenso. O pagamento de professores e servidores da Ufam não foi atingido pela medida.

O reitor ainda ressaltou que o bloqueio de R$ 38 milhões não representa 30% do orçamento geral da universidade deste ano, que conta com R$ 720 milhões. Em decorrência a isto, ele explica que, se até os próximos dois meses o bloqueio continuar, a previsão é que até o fim do semestre letivo possa haver um remanejamento dos recursos para outras ações, para que o impacto do bloqueio seja o menor possível.

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