População do Amazonas mergulha na pobreza diante da pandemia


Em meio à pandemia, quase
metade da população do Ama-
zonas vive abaixo da linha da
pobreza.

De 2018 para 2019, o estado apresentou um crescimento de 3,7% no percentual e chegou a 47,4%, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa um total de 51,7 milhões de amazonenses não possuindo condições de obter todos os recursos necessários para viver durante a crise. Embora o IBGE não tenha levantado dados de 2020, por conta da pandemia, famílias amazonenses evidenciam a crise financeira que estão vivendo e economistas revelam a necessidade de implementar políticas sociais de inclusão para planejar o futuro da região.
O IBGE considera que uma família vive abaixo da linha da pobreza quando possui disponível apenas o valor de US$5,5 que, na cotação atual, corresponde a R$ 30,98 por dia e R$ 929,40 ao mês. No levantamento de 2019, no Amazonas, o rendimento domiciliar per capita mediano – aquele ao qual até metade da população tem acesso – equivalia a R$ 475,00, não alcançando nem mesmo a metade do valor do salário mínimo nacional no mesmo ano (R$ 998,00).

Os dados não foram levantados em
2020, pois a pandemia impossibilitou muitas das atividades de pesquisa do IBGE. Contudo, famílias amazonenses acreditam que a situação atual está ainda mais difícil e deve se agravar. Um dos que vive essa realidade é Davi Ferreira, 56, que mora em uma habitação de palafita no igarapé do bairro Educandos, zona Sul de Manaus, desde 1986.

Desempregado há três anos, Fer-
Os dados mais recentes demonstram que, de 2018
para 2019, o estado apresentou um crescimento de 3,7% e chegou a apresentar quase metade da população abaixo da linha da pobreza (47,4%)
Com o passar do tempo, famílias amazonenses acreditam que a situação se torna ainda mais difícil VANESSA LEMES

População do Amazonas mergulha
na pobreza diante da pandemia
está muito caro. As nossas despesas chegam a quase mil reais por mês, mas quando tem”, desabafa Ferreira.
Assim como o casal, outra famí-
lia amazonense que também sente
na pele todos os dias os efeitos da
crise econômica são os Batistas. Há 11 anos morando com seis pessoas em uma palafita no mesmo bairro, a dona de casa Eluane Batista, 33, achava que – ao se mudar para Manaus – encontraria melhores condi-
ções de vida. Contudo, a realidade para ela e para o esposo Jocilon Lopes, 38, se mostrou diferente.

Com três filhos e ainda dividindo a
casa com a sogra e o cunhado, Ba-
tista conta que as dificuldades só aumentaram na pandemia.

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Sem receber o Bolsa Família ou qualquer benefício neste ano, a família vive somente com o dinheiro do almoço do dia seguinte. “Aqui em Manaus tudo é muito caro e hoje em dia o ganho do trabalho do meu marido só dá para alimentação. Quando a gente tinha um emprego normal, a renda dava, mas agora está muito difícil. O comércio reabriu, mas não está como antes”. É trabalhar no dia para conseguir a refeição. Moreira mora com a esposa, Elenice de
Souza, 76, que vive há quatro anos em uma cama, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Cuidando sozinho de sua mulher em uma casa com quatro cômodos, ele conta com a ajuda financeira de parentes para manter o sustento básico. Antes, o amazonense era servente de pedreiro, mas, por conta de problemas de saúde, acabou sem emprego.

Em 2020, o casal chegou a receber o Auxílio Emergencial. Contudo, a situação atual se tornou ainda mais precária sem a ajuda do Governo Federal. Com a alimentação básica, sem variedade nocardápio, Ferreira só cozinha arroz, feijão, peixe, farinha e mingau.

Em situação de extrema pobreza, para eles, o subsídio está fazendo falta.

“Esse benefício que a gente recebeu
no ano passado ajudou a comprar o
gás, a comida e a pagar a luz. Nossa, me ajudou muito, mas agora está difícil. A gente vive da ajuda da família”.

 

FONTE: EM TEMPO

 


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