Humaitá e seus momentos: um testemunho

Humaitá(AM) – Mais de década e meia depois, relembro o dia em que fui admitido ao serviço público municipal, pelo então prefeito, Renato Pereira Gonçalves, ao início do seu segundo mandato consecutivo de prefeito do município de Humaitá.

 

Desde então, tive a honra de servir ao meu município, sob a égide de 5 mandatarios, um deles por dois mandatos, o que me deu a oportunidade de testemunhar as evoluções e involuções que ocorreram no município, com seus muitos e variados desdobramentos. Tenho um livro pronto ao prelo, contando uma década dos bastidores politicos locais. Belas histórias.

 

De tantas lembranças, algumas são marcantes, como o bloqueio que fizemos na BR-319, à altura do km 27 sentido Porto Velho(RO), no ano de 2006, como forma de chamar a atenção para a precária situação do trecho daquela rodovia que liga Humaitá à capital rondoniense. À época, gastavam-se até seis horas de carro para fazer o percurso de 200 quilômetros, que hoje se faz em uma hora e meia a duas.

 

Ali novamente, Dedei, Terrinha, Dydyo, Riça Júnior, Galinha Magra, Cesário, Celso Deola, Vilson Scandolara, Cristóvão Costa, e tantos outros, num esforço que deu muito resultado, resultado a olhos vistos.

 

Em outro momento, posterior ao fim do mandato do prefeito Renato, fomos às ruas de Humaitá, protestar contra o atraso no pagamento dos professores da rede municipal de ensino, à epoca, com atraso de 03 meses, se a memória não me trai.

 

Vereador Dedei, professor Alemão, meu saudoso amigo Terrinha, este subscritor e tantos outros, foram as vozes do magistério local, que naquele momento formou coro conosco para reivindicar seus direitos.

 

Quando meu dileto amigo José Eurípedes foi eleito presidente da Colônia de Pescadores Z-31, deu-me a honra de fazer o cerimonial de posse, isto na Área de Lazer dos Cabos e soldados. Naquela passagem, ainda não me conhecia, mas, já ouvira falar….(rsrs).

 

Meu amigo Perote Júnior, filho de outro esteio da política, Luiz Perote de Oliveira, tinha um veículo modelo Pampa, com um sistema de som na corroceria, que foi usada naquele evento e se tornaria emblemática em nossas muitas lutas políticas, nos anos que se seguiriam. Deveria colocá-la em um pedestal, se ela ainda existir.

 

Tive a honra de fazer parte da equipe que colocou no ar, de forma definitiva, a rádio comunitária 104,9 FM, figurando como um de seus primeiros locutores, juntamente com Januário Neto, Marcos Pinheiro e Dina.  Kiko Tchê, ainda jovem, formou conosco um precioso círculo de amizade e era um grande incentivador.

 

Àquela altura, travamos uma luta renhida e diária, para mudar o sistema político dominante, que naquele momento, mostrava-se nefasto para o município, sobretudo, nas áreas de educação e saúde.

 

Nos embates políticos eleitorais, tenho-me como um verdadeiro privilegiado. Acompanhei par e passo todas as campanhas no período desta narrativa, atuando em comitês, nas ruas, reuniões abertas e fechadas, acordos, desacordos, as idas e vindas dos conhecidos meandros politicos.

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Almino Monteiro Álvares Afonso, Jéfferson Peres, Lino José de Souza Chíxaro, Carlos Eduardo de Souza Braga, Omar José Abdel Aziz, Amazonino Mendes, Raimundo Neves de Almeida, Euro Euro Tourinho, Ernesto Melo, Dilma Vana Rousseff, Alfredo Nascimento, Adílio, Rondinelli e dezenas de outras figuras de todos os meios, me foram apresentadas e com elas compartilhei algum momento profissional ou mesmo social. Não entro no mérito dos seus méritos ou deméritos. É apenas um registro.

 

Particularmente, meus conterrâneos mangabenses me são um verdadeiro prêmio, um libelo à amizade e ao verdadeiro companheirismo: Moisés Cezário, Burton, Aleixo, Palha, Bimba, Nã Batista, Sérgio Aires, Juca Mota, Chico Preto (Sávio in memorian), Cujuba, França, Moca, Lia, Maria da Olaria, José Maria da Olaria, Viana, Chico Doca, Bibi Chíxaro, Pedro Elias, dentre tantos. Estes são em essência, nossa verdadeira bandeira. Vamos continuar nossa jornada, após essa pandemia, com toda certeza!

 

Os anos de 2013 e 2014 foram particularmente desafiadores. Já com as luzes de natal anunciando a chegada do menino Jesus, em 2013, estorou uma crise étnica, econômica, moral e social, que eu mesmo, escrevendo para os mais diversos meios de comunicação, denominei-o de “Caso Tenharin”. Uma revolta popular resultante do assassinato de 03 cidadão de Humaitá, por indígenas tenharins. O caso teve repercussão internacional.

 

Ao início de 2014, enfrentamos um dos maiores desafios da então administração municipal, a enchente do rio Madeira, que naquele ano afetou mais de 18 mil pessoas e colocou à prova nossa capacidade de resiliência.

 

Mas, nenhum dos momentos vividos nesses mandatos de outrora, se comparam ao dramático cenário de epidemia que hoje vivenciamos, no mundo, por consequinte, no Amazonas e em Humaitá.

 

A tragédia da perda de centenas e centenas de vidas, toma cores ainda mais nefastas, diante da irresponsabilidade, da inércia e da insensatez de governantes personalistas e semideuses de um mundo particular e só seu, que preferem queimar na fogueira de suas proprias vaidades, milhares de vidas humanas, em vez de dedicarem o mesmo esforço, para salvá-las.

 

É minha a firme e inarredável convicção de que é nosso dever, cobrar, reivindicar e exigir das autoridades constituídas democraticamente, ações rápidas, eficazes e permanentes, sob pena de repertirmos cenários que hoje tanto envergonham a humanidade, como guerras, genocídios, limpeza étnica ou coisa pior.

 

Por fim, diante do cenário atual, diante de tantos “líderes” chauvinistas e pesudo-nacionalistas, sugiro aos que puderem, que assistam a um clássico do cinema mundial, vencedor de 07 oscars e eleito o 13º melhor filme da história do cinema americano.

 

A Ponte do Rio Kwai é um filme britano-norte-americano de 1957, dirigido por David Lean. É baseado no romance de Pierre Boulle Le pont de la rivière Kwai de 1952.

 

Elias Pereira

Humaitá, AM, janeiro/2021

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