Bolsonaro diz que ‘não teve nenhum acordo, nada’, sobre indicação de Sérgio Moro ao STF

No fim de semana, presidente disse que, ao convidar Moro para o ministério, assumiu o compromisso de indicá-lo ao Supremo quando surgir a primeira vaga. Moro diz que não estabeleceu condição para aceitar vaga de ministro da Justiça. Ao aceitar o cargo, ele teve de abandonar a carreira de juiz.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (16) que não há um acordo com Sérgio Moro para que o atual ministro da Justiça aceitasse o cargo no governo em troca de uma futura indicação para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

No último fim de semana, Bolsonaro afirmou que pretende honrar um “compromisso” firmado com Moro e indicá-lo para o tribunalquando surgir a primeira vaga. O ministro Celso de Mello, o mais antigo da Corte, se aposentará no fim do ano que vem, quando completará 75 anos. “A primeira vaga que tiver, eu tenho esse compromisso com o Moro e, se Deus quiser, cumpriremos esse compromisso”, disse Bolsonaro no fim de semana.

Nesta quinta, durante a transmissão de uma “live” por uma rede social, o presidente afirmou o seguinte:

“Questão do Moro no Supremo Tribunal Federal: quero deixar bem claro. Quem me acompanhou ao longo de quatro anos pelos Brasil, eu sempre falava o quê? ‘Precisamos de alguém no Supremo com o perfil do Sérgio Moro’. Isso que foi falado. E agora, por exemplo, perguntaram para mim: ‘Se tivesse que indicar hoje alguém para o Supremo?’ Eu indicaria o Moro. Não teve nenhum acordo, nada.”

E completou: “Nunca ninguém me viu com o Moro, a não ser, muito pelo contrário. Me viu numa imagem no aeroporto, um ano e pouco antes das eleições, onde ele me cumprimenta muito rapidamente e vai embora”.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (15) — Foto: Reprodução

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, durante entrevista à GloboNews nesta quarta-feira (15) — Foto: Reprodução

O que diz Sérgio Moro

Nesta quarta (15), em entrevista à GloboNews, Sérgio Moro disse que, quando foi convidado por Bolsonaro para assumir o Ministério da Justiça, abriu mão de 22 anos de magistratura e, na opinião dele, Bolsonaro sentiu ter um compromisso de indicá-lo para a Corte.

Acrescentou, em seguida, que não colocou a indicação como condiçãopara integrar o governo. Segundo Moro, se Bolsonaro decidir indicá-lo, avaliará se aceita ou não.

“Quando nós conversamos, bem, eu estava abandonando 22 anos de magistratura e aqui no Brasil é um caminho sem volta, é um certo sacrifício. […] Eu acho que o presidente, tendo em vista essa situação, se sentiu com esse compromisso de oferecer essa vaga quando surgir no futuro. Mas eu jamais estabeleci isso como condição”, declarou o ministro.

Moro afirmou ainda que nem ele nem o presidente mentiram, mas fizeram a mesma afirmação de formas diferentes.

“Nem eu nem o presidente faltamos com a verdade, o que existe é outra forma de dizer a mesma coisa. […] O meu foco hoje é outro, estou focado no ministério. Não existe vaga [no STF] no momento. Surgindo, se meu nome for lembrado, ótimo. Se o presidente quiser manter o convite, e fizer o convite, vou avaliar se aceito ou não. Claro que seria uma grande honra, mas isso será no futuro”, completou.

O presidente Jair Bolsonaro, durante uma transmissão ao vivo em uma rede social nesta quinta-feira (16) — Foto: ReproduçãoO presidente Jair Bolsonaro, durante uma transmissão ao vivo em uma rede social nesta quinta-feira (16) — Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro, durante uma transmissão ao vivo em uma rede social nesta quinta-feira (16) — Foto: Reprodução

As declarações

12/5 – Bolsonaro: “Eu fiz um compromisso com ele, porque ele abriu mão de 22 anos de magistratura. Eu falei: a primeira vaga que tiver lá, vai estar à sua disposição. Obviamente ele teria que passar por uma sabatina no Senado. Eu sei que não lhe falta competência para se aprovado lá. Mas uma sabatina técnico-política, tá certo? Então, eu vou honrar esse compromisso com ele, caso ele queira ir para lá. Ele seria um grande aliado não do governo, mas dos interesses do nosso Brasil dentro do STF”.

13/5 – Moro: “Ele [Bolsonaro] foi eleito, fez o convite publicamente, fui até a casa dele no Rio de Janeiro. Nós conversamos e nós, mais uma vez publicamente, eu não estabeleci nenhuma condição. Não vou receber convite para ser ministro e estabelecer condições sobre circunstâncias do futuro que não se pode controlar”.

15/5 – Moro: “Quando nós conversamos, bem, eu estava abandonando 22 anos de magistratura e aqui no Brasil é um caminho sem volta, é um certo sacrifício. […] Eu acho que o presidente, tendo em vista essa situação, se sentiu com esse compromisso de oferecer essa vaga quando surgir no futuro. Mas eu jamais estabeleci isso como condição”.

16/5 – Bolsonaro: “Questão do Moro no Supremo Tribunal Federal: quero deixar bem claro. Quem me acompanhou ao longo de quatro anos pelos Brasil, eu sempre falava o quê? ‘Precisamos de alguém no Supremo com o perfil do Sérgio Moro’. Isso que foi falado. E agora, por exemplo, perguntaram para mim: ‘Se tivesse que indicar hoje alguém para o Supremo?’ Eu indicaria o Moro. Não teve nenhum acordo, nada. Nunca ninguém me viu com o Moro, a não ser, muito pelo contrário. Me viu numa imagem no aeroporto, um ano e pouco antes das eleições, onde ele me cumprimenta muito rapidamente e vai embora”.

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