Após corte, Bolsonaro diz que Amazônia não precisa de dinheiro alemão

A Alemanha vai suspender um aporte de 35 milhões de euros, a projetos de proteção e preservação da Amazônia. O argumento é a preocupação com a alta do desmatamento

 

Amazônia – A Alemanha vai suspender um aporte de 35 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões, a projetos de proteção e preservação da Amazônia enviados ao Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente alemão. O argumento é a preocupação com a alta do desmatamento na região amazônica. As recentes divulgações pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) seriam a causa da retenção dos recursos.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (11) que a Alemanha “vai deixar de comprar à prestação a Amazônia”, sobre os investimentos do país europeu no Fundo Amazônia. “Pode fazer bom uso dessa grana, no Brasil não precisa disso”, afirmou.
Questionado se a situação não seria ruim para a imagem do Brasil o presidente rebateu: “Grandes países estão interessados na imagem do Brasil ou (em) se apoderar do Brasil?”, questionou.
Estados do Norte buscam parcerias
Após a decisão do governo federal de paralisar as ações do Fundo Amazônia, sob a justificativa de que teria encontrado supostas irregularidades na condução do programa pelo BNDES, os maiores Estados da Região Norte passaram a buscar parcerias diretas com doadores internacionais para financiar ações de combate ao desmatamento.
Dados do desmatamento na Amazônia

Dados do Inpe apontam que o desmatamento cresceu 88% em junho e 278% em julho, ambos comparados com o mesmo período do ano passado. O governo nega as informações e atribui as elevadas taxas de crescimento à inserção de informações anteriores ao mês de referência. No entanto, o argumento exposto pelo ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, não convenceu a ministra Svenja Schulze, da Alemanha, conforme entrevista ao jornal Tagesspiegel.

A ministra não comentou os dados divulgados pelo Inpe, mas questionou a política ambiental brasileira na Amazônia. “A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, declarou Schulze ao jornal alemão.

A publicação sugere que, somente com dados claros sobre o combate ao desmatamento, a cooperação poderá continuar.

Investimento alemão na Amazônia

O governo alemão investe em projetos de proteção à Amazônia há mais de uma década. A publicação alemã informa que, desde 2008, foram disponibilizados 95 milhões de euros, cerca de R$ 425 milhões. Apesar da suspensão de verbas, Schulze manifestou que o bloqueio não atingirá o Fundo Amazônia, o maior projeto de cooperação internacional para preservação da área florestal, de cerca de 4,1 milhões de quilômetros quadrados (km2).

Reação da Casa Civil

A decisão do governo alemão foi desdenhada, neste sábado (10/8), pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Para ele, o mundo cobiça a Amazônia, mas nenhum país europeu pode dar lição ao Brasil de preservação do meio ambiente. “O país, quer no bioma Pampa, quer no Cerrado, quer no Semi-Árido, quer no Amazônico, ensinamos o mundo como se protege o meio ambiente. Eu desafio qualquer mandatário europeu ou qualquer ONG europeia comparar o que eles têm hoje de mata nativa e o que tem o Brasil. Então, vamos com calma. E também não vamos ser ingênuos de achar que não tem toda uma ação em cima do meio ambiente que significa travar o desenvolvimento brasileiro”, declarou.

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