Podemos ter falhado em conter fronteira agrícola na Amazônia, diz ministra

Ministra da Agricultura, Tereza Cristina admite que o governo federal pode ter falhado em conter a expansão da fronteira agrícola na Amazônia ao longo de 2019.

Ela atribui o problema ao que classifica de “falta de agilidade da legislação” e diz que a regularização fundiária deve ajudar na fiscalização da região, que registrou no ano passado recorde de desmatamento na década.

“Tem gente dizendo que isso [a regularização fundiária] vai facilitar a grilagem. Ao contrário. O que nós precisamos saber é quem está fazendo [o desmate e extração e ocupação ilegal], dar nome aos bois e poder punir”, disse Tereza Cristina, em entrevista entrevista ao UOL e à Folha de S.Paulo, em Brasília.

Qual é o real plano para a Amazônia?

Acho que o real plano para Amazônia começa com a regularização fundiária. Nós temos leis, tem o Código Florestal. 80% da Amazônia tem que ser preservado nas propriedades privadas. Temos que pegar as terras públicas e fazer as concessões, e isso está na nossa legislação.

Essas terras muitas vezes não têm dono, o que facilita o desmatamento ilegal, a grilagem, o garimpo ilegal. Nós não precisamos da Amazônia para a produção hoje.

O governo tem falhado em conter essa fronteira agrícola na região amazônica?

Pode ter falhado, sim. Às vezes, as falhas vêm porque a gente não tem uma agilidade na legislação. Por que o governo está fazendo a regularização fundiária? E tem uns dizendo que ‘ah, isso vai facilitar a grilagem’.

Ao contrário. O que nós precisamos saber é quem está fazendo [atividades ilegais], dar nome aos bois e poder punir. E a fiscalização? O Brasil é um país continental. O governo brasileiro, por mais que queira fazer, nós não tem gente suficiente. Olha o tamanho da Amazônia. Quantos países da Europa? 50% do Brasil é aquela região.

Texta: Luciana Amaral e Fábio Pupo

Do UOL e da Folha, em Brasília

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