Operação Hespérides, deflagrada pela Polícia Federal combate venda ilegal em ouro de R$ 230 milhões, em cotação atual

150 policiais federais cumprem desde as primeiras horas de sexta feira (06) 85 mandados judiciais contra investigados na Operação Hespérides, deflagrada pela Polícia Federal (PF), para combater uma organização criminosa que seria responsável pelo comércio ilegal de pelo menos 1,2 tonelada de ouro. De acordo com a PF, o montante representa mais de R$ 230 milhões, em cotação atual.

Os mandados estão sendo executados em endereços ligados ao grupo criminoso nos estados do Amazonas, Rio Grande do Norte, de Rondônia, Roraima e São Paulo.

 PF investiga

As ordens judiciais foram expedidas pela 4ª Vara Federal de Roraima. A Justiça determinou também o bloqueio de até R$ 102 milhões dos investigados. São 17 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 48 buscas e apreensões e 15 sequestros e bloqueios de bens.

Segundo a PF, as investigações começaram em setembro de 2017, após apreensão de aproximadamente 130 gramas de ouro no Aeroporto de Boa Vista, destinados a uma empresa em São Paulo. Uma nota fiscal de compra de “sucata de ouro” acompanhava o metal, sendo verificado pela PF que se trataria de um documento falso.

As investigações tiveram início em setembro de 2017, após apreensão de aproximadamente 130 gramas de ouro no Aeroporto Internacional de Boa Vista e destinados a uma empresa em São Paulo. Uma nota fiscal de compra de “sucata de ouro” acompanhava o metal, sendo verificado pela PF que se trataria de um documento falso.

“Havia uma empresa em Pacaraima que emitia notas ficais falsas alegando que se tratava de sucata de joias e gerava recibos de vendas falsas destas joias para esquentar o ouro vindo de garimpos da Venezuela e do Estado de Roraima”, afirmou.

Os indícios constantes no Inquérito Policial apontam que o grupo criminoso seria composto por venezuelanos e brasileiros que, residindo em Roraima, comprariam ilegalmente ouro extraído de garimpos da Venezuela e de garimpos clandestinos do estado. Com o auxílio de alguns servidores públicos que integrariam a organização criminosa e receberiam propinas, tentariam dar um aspecto de legalidade ao metal por meio da emissão de documentos falsos por empresas de fachada. Quanto à participação de servidores públicos da União e do Estado no esquema, o delegado confirmou que pelo menos quatro davam suporte a organização criminosa.

“No curso da investigação foram identificados quatro servidores públicos, que davam apoio a organização criminosa e recebiam propina em troca de favorecimento dos atos da organização”, afirmou. Sobre a participação de um procurador do Estado ele afirmou que há indícios da participação do procurador. “Ainda estamos investigando sobre a participação desse procurador e ele não está entre os presos de hoje feitos pela operação, mas os servidores da Receita Federal e da Receita Estadual já estão presos”, afirmou.

Sobre se alguns dos envolvidos teriam ligação com a operação anterior da PF que investiga pessoas envolvidas no tráfico de drogas no Estado, o delegado Venturini afirmou que são operações distintas. “Hoje só vamos falar da operação Hespérides”, disse.
NOME – O nome da operação faz referência as Hespérides que, segundo a mitologia grega, seriam as responsáveis por cuidar do pomar onde a deusa Hera cultivava macieiras que davam frutos de ouro. Entretanto, elas passaram a consumir os frutos que deveriam guardar, sendo necessário que Hera adicionasse à guarda um dragão eterno que nunca dormia. (R.R)

Foto: Divulgação 

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